Tuitolândia

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Imaginação fértil

Crianças pensam muitas coisas. Mas eu definitivamente considero, hoje, que fui uma criança com imaginação fértil. Fertilíssima. Quando era pequeno e ouvia alguém dizer que era carioca, perguntava: _mas você é carioca da gema? [criança sempre tem mania de imitar adulto] A resposta era sim... E eu ficava sempre tentando descobrir onde é que ficava a tal ‘gema’ na cidade do Rio. Seria um bairro? Uma avenida? Um condomínio, talvez...

Também quando era pequeno conversava sozinho durante o banho. Ou melhor, sozinho só para quem me via ou me escutava tagarelando sem obter as respostas para as minhas perguntas. Na verdade, eu tentava contato com as incríveis senhoras que aqueciam diariamente meu banho e que moravam dentro da parede, ao lado do box. Elas não me respondiam, mas sempre achei que eram porque estavam trabalhando muito naquele momento em que a água quente caia sobre minha cabeleira.

Falando em paredes, após assistir um episódio do Chapolin Colorado, eu passei a ter medo de dormir voltado para elas. O episódio mostrava uma tinta mágica que deixava as paredes invisíveis. Comecei a achar que etezinhos verdes poderiam utilizar a mesma técnica e ficarem me monitorando durante o meu sono _ acho que isso beira esquizofrenia_ mas até hoje, quando durmo em lugares que não o meu quarto, eu fico olhando para parede... Observando se ela ainda está lá, visível.

Ah, eu fui uma criança com imaginação fértil. Minha simbologia quando ouvia alguém dizer que fazia amor, era que o casal saía por aí soltando coraçõeszinhos... Fui uma criança feliz, mas é melhor parar por aqui, antes que vocês me internem. Se der na telha _uau, que gíria idosa supimpa!_ eu volto a escrever sobre minha imaginação aos seis anos.

Vou tomar banho e conversar com as senhoras que esquentam minha ducha_ Hum... Nessa conotação e com essa idade isso ficou estranho.